só isso.

(ou: o veneno quando se distribui é para todos) A propósito d’O Independente, a leitura do french kissin’, trouxe um tema colateral sob a forma da série Abaixo da media (I e II), que assino por baixo se João Morgado Fernandes não se importar. É tempo de formular a micro-causa: poderão os articulistas e bloggers que insistem ver em Portugal um «universo mediático predominantemente alinhado à esquerda», apresentar os factos que sustentam tão espantosa tese? Até lá, é um factóide. Para não dizer embuste.

É o mínimo que me ocorreu dizer, quando vi a polémica em que Cláudio Franco deixou envolver o seu blog. O autor tem toda a razão, o excesso de linguagem dos comentadores é compreensível face à indignação causada e uma pessoa como eu que veja o site em questão fica estarrecida a pensar: que dinheiro tão mal empregue. A crítica inicial de Cláudio Franco devia ter merecido da empresa responsável uma rápida rectificação da sua metodologia e um agradecimento público (ou pelo menos por e-mail); ao invés, decidiram disparatar e sobre-reagir, sem vestígios de argumentação (para não falar em razão). Além de assustarem Cláudio, que sabem ser jovem e impressionável, o mais que conseguiram foi irritar algumas pessoas e atrairem mau tráfego à empresa e sobretudo ao projecto. Vendo o respectivo trabalho, apetece a citar muito justamente Pedro Araújo, da empresa responsável: como «a Internet já tem muito lixo», era escusado as autarquias, o Estado e a União pagarem a firmas como a MakeWise para produzirem mais.

Anos a fio, a opinião pública criticou a RTP, as televisões e os jornais de uma forma geral por darem excessivo destaque ao triste espectáculo das chamas. Que serviam, segundo os mais zelosos auto-intitulados defensores da moral e bons costumes, para desviar “o povo” das coisas essenciais, como a política. Este ano a RTP, as televisões e os jornais deram menos espaço às chamas. Resultado: a “opinião” “pública”, sobretudo a que se auto-intitula de guardiã e cão de fila, crucificou a RTP (até ver) por, alegadamente, ter cedido à “pressão”, imagine-se, do Governo para dar menos espaço às chamas — precisamente o que essa mesma “opinião” “pública” tinha exigido numa berraria inaudita há um e dois Verões atrás.

Feito porta-bandeira deste MST, Movimento dos Sem-Tema, Eduardo Cintra Torres falava apenas e só de um tema muito, muito antigo, tão antigo como a própria RTP, não havia era ninguém que a PIDE/DGS deixasse escrever sobre isso: a  instrumentalização (o termo não é meu) da televisão do Estado. As acusações de ECT não são novas. Pelo contrário, são repetidas numa base mais ou menos frequente, a propósito de tudo e de nada, seja qual for o partido ou coligação no Governo e sejam quais forem a Administração e a Direcção de Programas da RTP (algumas já soçobraram, vítimas destes julgamentos sem provas quando é preciso, erm, queimar alguém para que tudo continue igual).

Tudo bem: é um tema com continuidade.

O que realmente enjoa, ao ponto do descrédito, são os sistemáticos abusos destes sem-tema, logo secundados pelo papagaios de repetição que pululam, ávidos de um link, naquilo que foi em tempos um eco-sistema habitável e pujante: a blogosfera. A chuva impede que mandemos incendiar as matas? No problem: a matilha manda queimar a RTP. Como no caso recente da guerra, convém desde cedo extremar as posições para as margens do conflito (ou és a favor ou és contra, não tens hipótese de fazer sequer perguntas), erodindo rapidamente o espaço para a discussão sadia ao centro.

Juro, eu não sabia. Só sabia que queria aquela parte do passeio. Afinal já não havia barcos naquela carreira há — quê? — quinze anos. Mais. E eles abriram agora outra vez e era uma memória tão antiga, tão bela, e tudo o que eu queria era partilhá-la. A infância, a água para as ameijoas, a ria.

Juro, amor, eu não sabia que partíamos para uma aventura tão inesperada. Tão única. Tão doce.

Barragem de Santa Clara, manhã alta. A geometria da água pesa em toda a paisagem. Pesa na beleza. Pesa na cota baixa que pesa a jusante na (míngua de) rega. Pesa na memória que sobra do salazarismo, nome perene neste mármore, nesta toponímia. A geometria da água nos dias de magia.

No Forte olhando para Sul da Ilha do Pessegueiro

O óculo do P800 dirige-se para Sul antecipando o nariz do Opel. Somos os nossos artefactos tanto como a nossa História? Somos o nosso olhar pausado? Não sei. Sei que me agrada a paisagem. Daqui para baixo e as hélices brancas e os montes desertos e as curvas das estradas nacionais saídas directamente de um filme dos anos 60.

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