É o mínimo que me ocorreu dizer, quando vi a polémica em que Cláudio Franco deixou envolver o seu blog. O autor tem toda a razão, o excesso de linguagem dos comentadores é compreensível face à indignação causada e uma pessoa como eu que veja o site em questão fica estarrecida a pensar: que dinheiro tão mal empregue. A crítica inicial de Cláudio Franco devia ter merecido da empresa responsável uma rápida rectificação da sua metodologia e um agradecimento público (ou pelo menos por e-mail); ao invés, decidiram disparatar e sobre-reagir, sem vestígios de argumentação (para não falar em razão). Além de assustarem Cláudio, que sabem ser jovem e impressionável, o mais que conseguiram foi irritar algumas pessoas e atrairem mau tráfego à empresa e sobretudo ao projecto. Vendo o respectivo trabalho, apetece a citar muito justamente Pedro Araújo, da empresa responsável: como «a Internet já tem muito lixo», era escusado as autarquias, o Estado e a União pagarem a firmas como a MakeWise para produzirem mais.
Agosto 2006
30 Agosto 2006
Dinheiro do POS Conhecimento devia ser fiscalizado
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23 Agosto 2006
À falta de incêndios, queime-se o que estiver mais à mão
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Anos a fio, a opinião pública criticou a RTP, as televisões e os jornais de uma forma geral por darem excessivo destaque ao triste espectáculo das chamas. Que serviam, segundo os mais zelosos auto-intitulados defensores da moral e bons costumes, para desviar “o povo” das coisas essenciais, como a política. Este ano a RTP, as televisões e os jornais deram menos espaço às chamas. Resultado: a “opinião” “pública”, sobretudo a que se auto-intitula de guardiã e cão de fila, crucificou a RTP (até ver) por, alegadamente, ter cedido à “pressão”, imagine-se, do Governo para dar menos espaço às chamas — precisamente o que essa mesma “opinião” “pública” tinha exigido numa berraria inaudita há um e dois Verões atrás.
Feito porta-bandeira deste MST, Movimento dos Sem-Tema, Eduardo Cintra Torres falava apenas e só de um tema muito, muito antigo, tão antigo como a própria RTP, não havia era ninguém que a PIDE/DGS deixasse escrever sobre isso: a instrumentalização (o termo não é meu) da televisão do Estado. As acusações de ECT não são novas. Pelo contrário, são repetidas numa base mais ou menos frequente, a propósito de tudo e de nada, seja qual for o partido ou coligação no Governo e sejam quais forem a Administração e a Direcção de Programas da RTP (algumas já soçobraram, vítimas destes julgamentos sem provas quando é preciso, erm, queimar alguém para que tudo continue igual).
Tudo bem: é um tema com continuidade.
O que realmente enjoa, ao ponto do descrédito, são os sistemáticos abusos destes sem-tema, logo secundados pelo papagaios de repetição que pululam, ávidos de um link, naquilo que foi em tempos um eco-sistema habitável e pujante: a blogosfera. A chuva impede que mandemos incendiar as matas? No problem: a matilha manda queimar a RTP. Como no caso recente da guerra, convém desde cedo extremar as posições para as margens do conflito (ou és a favor ou és contra, não tens hipótese de fazer sequer perguntas), erodindo rapidamente o espaço para a discussão sadia ao centro.
22 Agosto 2006
Juro, eu não sabia. Só sabia que queria aquela parte do passeio. Afinal já não havia barcos naquela carreira há — quê? — quinze anos. Mais. E eles abriram agora outra vez e era uma memória tão antiga, tão bela, e tudo o que eu queria era partilhá-la. A infância, a água para as ameijoas, a ria.
Juro, amor, eu não sabia que partíamos para uma aventura tão inesperada. Tão única. Tão doce.
20 Agosto 2006
Barragem de Santa Clara, manhã alta. A geometria da água pesa em toda a paisagem. Pesa na beleza. Pesa na cota baixa que pesa a jusante na (míngua de) rega. Pesa na memória que sobra do salazarismo, nome perene neste mármore, nesta toponímia. A geometria da água nos dias de magia.
19 Agosto 2006
O óculo do P800 dirige-se para Sul antecipando o nariz do Opel. Somos os nossos artefactos tanto como a nossa História? Somos o nosso olhar pausado? Não sei. Sei que me agrada a paisagem. Daqui para baixo e as hélices brancas e os montes desertos e as curvas das estradas nacionais saídas directamente de um filme dos anos 60.
19 Agosto 2006
Estamos em plena costa alentejana. O azul é único e fala-nos de vizires e desamores. Ninguém diria. Por esta porta entravam e saiam os defensores contra os piratas. (Os verdadeiros.)
19 Agosto 2006
17 Agosto 2006
A Polícia Judiciária e o "combate" ao cibercrime
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O meu amigo ******* (ainda não combinámos o nosso almoço!) que me desculpe, mas o post do Pedro Figueiredo, press release da pj publicado no dn, de borla, é notável e em última análise explica como não se deve gastar dinheiro mal gasto. A não perder, absolutamente (via Frederico Marques, que também se debruça sobre o assunto). Aqui fica um teaser:
algum criminoso digno do nome usa email sem ser cifrado e combina o próximo assalto ao banco via msn?”
a pedofilia!!! os cartões de crédito!!! o drama!!! o horror!!! a tragédia!!! mais uma vez, quem faz dinheiro a sério com isto concerteza que usa canais em claro, está-se mesmo a ver. já agora, dos 401 casos em 2005 (o aumento publicitado de 400% desde 1997 é mais ou menos como dizer que a cópia de filmes vhs aumentou bastante nos anos seguintes à invenção do vhs) quantos foram a tribunal, e desses quantos resultaram em condenações?”
A finalizar: não partilho do radicalismo do Pedro, mas que os jornais deviam ter jornalistas mais esclarecidos a tratar estes temas, deviam. Tratar bem a PJ e publicar os comunicados sobre pessoas desaparecidas é uma coisa, reproduzir os seus press-releases existenciais sem tratamento é outra.
16 Agosto 2006
Fim do petróleo: Austrália financia conversão para GPL
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O primeiro ministro autraliano John Howard anunciou medidas de um plano mais vasto para diminuir os efeitos nocivos da excessiva dependência energética do petróleo. Entre elas avulta o financiamento da conversão dos veículos para o gás liquefeito, GPL. O governo da Austrália vai pagar 1.000 dólares (cerca de € 600) por cada veículo novo que funcione a GPL e até 2.000 por cada veículo reconvertido (esta operação pode custar entre 2.500 e 4.000 dólares).
O plano de combate à espiral de aumentos do preço do petróleo permite poupanças de até 1.600 dólares para alguém que faça 20.000 quilómetros anuais, segundo os cálculos da fonte consultada (news.com.au).
A oposição criticou Howard pela mais irónica das razões: acusando-o de ser um late convert, um renitente na adopção do GPL e dos combustíveis alternativos ao petróleo, como forma de evitar as dores nacionais pelo aumento do crude. Para o empedernido Howard se vergar aos “alternativos”, dá para perceber o extraordinário desespero que o atingiu e a falta de soluções baseadas na continuidade de uma situação… insustentável.
Enquanto país extremamente dependente do petróleo, a Austrália está no princípio da vaga de fundo que, um por um, todos os países vão sentir à medida que se aproxima o fim do ciclo de prosperidade económica e social movido a energia barata. Os primeiros sinais naquele país são de intranquilidade política.
Embora ditado nesta fase por assuntos de natureza política, admissivelmente alheios ao calendário do fim do petróleo, o preço no mercado mundial não deverá regredir nunca mais: admitindo que o preço ainda é controlável pelas instituições que regem o negócio mundial do petróleo, tal controlo durará escassos anos pois entretanto virão as turbulências associadas às falhas no abastecimento, que por sua vez se irão agravar de ano para ano.
Com o fim do petróleo encerra-se um dos períodos mais brilhantes da raça humana. Baseados na energia barata e abundante, construímos uma economia globalizada que relativizou o factor geografia (que regressará mais depressa do que pensamos) e permitiu “crescimentos” e o “desenvolvimento” infra-estrutural surrealista.
Depois destes sinais na Austrália, provavelmente ainda este ano, veremos os EUA surpreenderem-nos com medidas de emergência muito piores, como por exemplo cortes colossais na aviação, hoje foco não de uma, mas de duas dores de cabeça fortíssimas: a segurança e o preço. Não me espantarei se ainda em 2006 ou, vá lá, em 2007 as indústrias relacionadas com a aviação, e a aviação comercial ela própria, levarem uma volta completa. Por outras palavras, preparemo-nos para ver os aviões na pista em vez de nos céus.
16 Agosto 2006
Já levo com produtos Microsoft há 20 anos redondos, desde o MS DOS 3.1 (1984/85) , e nunca a empresa me conseguiu impressionar pela positiva.
Bem. Há sempre uma primeira vez. Até para a Microsoft me causar uma boa impressão. Estou a testar o Windows Live Writer, acabadinho de sair, e só posso dizer bem. Para uma versão 1.0 (o equivalente, na Microsoft, às versões “beta”, um pretenciosismo que fica bem à Google junto dos analfabetos e que deixa a indústria a sorrir) está muito boa.
A instalação podia ter corrido melhor: o installer andou aos pontapés com o framework .net e ainda tenho janelas a berrarem de vez em quando. De resto, esperem pela muita lentidão típica do código carregado de lixo e de curto-circuitos, ainda por depurar.
Normal.
O que não é normal num produto Microsoft, em especial nos últimos dez anos, é ser tão necessário, tão virado para as necessidades dos utilizadores. A empresa costuma chegar a estes níveis lá para as versões 3.xx testadas intensivamente em laboratórios controlados. Arriscarem assim on fly é verdadeiramente notável – e dá-nos a dimensão do desespero de Ray Ozzie, cavalgando um gigante cego que se aproxima do abismo.
Este é o primeiro texto escrito para aqui. Nem sequer fiz um teste preliminar, é logo a abrir em modo produção. De onde vem tanta confiança? Do facto de, depois de instalado, ter configurado sem problemas de monta o Live Writer para dois blogs Movable Type: um em plataforma de alojamento (weblog.com.pt) outro em instalação pessoal. Se correu tão bem com um MT, isto em WordPress deve zunir.
Já vários dos tecnólogos de serviço escreveram sobre o Windows Live Writer, nesta página estão ligadas diversas críticas. Se costuma usar um editor, tem de experimentar este. Se não costuma, este é um bom começo: os editores poupam tempo e facilitam muitas tarefas (ao nível do código HTML – era uma benção que VOCÊ, sim, você mesmo, usasse isto, o seu código deixava de ser a porcaria que é, com tags misturadas e por fechar e o diabo a sete). E para quem mantenha diversos blogs, então, é imprescindível.