Windows Live Writer: palmas

16 Agosto 2006 - No Responses

Já levo com produtos Microsoft há 20 anos redondos, desde o MS DOS 3.1 (1984/85) , e nunca a empresa me conseguiu impressionar pela positiva.

Bem. Há sempre uma primeira vez. Até para a Microsoft me causar uma boa impressão. Estou a testar o Windows Live Writer, acabadinho de sair, e só posso dizer bem. Para uma versão 1.0 (o equivalente, na Microsoft, às versões “beta”, um pretenciosismo que fica bem à Google junto dos analfabetos e que deixa a indústria a sorrir) está muito boa.

A instalação podia ter corrido melhor: o installer andou aos pontapés com o framework .net e ainda tenho janelas a berrarem de vez em quando. De resto, esperem pela muita lentidão típica do código carregado de lixo e de curto-circuitos, ainda por depurar.

Normal.

O que não é normal num produto Microsoft, em especial nos últimos dez anos, é ser tão necessário, tão virado para as necessidades dos utilizadores. A empresa costuma chegar a estes níveis lá para as versões 3.xx testadas intensivamente em laboratórios controlados. Arriscarem assim on fly é verdadeiramente notável - e dá-nos a dimensão do desespero de Ray Ozzie, cavalgando um gigante cego que se aproxima do abismo.

Este é o primeiro texto escrito para aqui. Nem sequer fiz um teste preliminar, é logo a abrir em modo produção. De onde vem tanta confiança? Do facto de, depois de instalado, ter configurado sem problemas de monta o Live Writer para dois blogs Movable Type: um em plataforma de alojamento (weblog.com.pt) outro em instalação pessoal. Se correu tão bem com um MT, isto em WordPress deve zunir.

Já vários dos tecnólogos de serviço escreveram sobre o Windows Live Writer, nesta página estão ligadas diversas críticas. Se costuma usar um editor, tem de experimentar este. Se não costuma, este é um bom começo: os editores poupam tempo e facilitam muitas tarefas (ao nível do código HTML - era uma benção que VOCÊ, sim, você mesmo, usasse isto, o seu código deixava de ser a porcaria que é, com tags misturadas e por fechar e o diabo a sete). E para quem mantenha diversos blogs, então, é imprescindível.

Fim do petróleo: Austrália financia conversão para GPL

16 Agosto 2006 - No Responses

O primeiro ministro autraliano John Howard anunciou medidas de um plano mais vasto para diminuir os efeitos nocivos da excessiva dependência energética do petróleo. Entre elas avulta o financiamento da conversão dos veículos para o gás liquefeito, GPL. O governo da Austrália vai pagar 1.000 dólares (cerca de € 600) por cada veículo novo que funcione a GPL e até 2.000 por cada veículo reconvertido (esta operação pode custar entre 2.500 e 4.000 dólares).

O plano de combate à espiral de aumentos do preço do petróleo permite poupanças de até 1.600 dólares para alguém que faça 20.000 quilómetros anuais, segundo os cálculos da fonte consultada (news.com.au).

A oposição criticou Howard pela mais irónica das razões: acusando-o de ser um late convert, um renitente na adopção do GPL e dos combustíveis alternativos ao petróleo, como forma de evitar as dores nacionais pelo aumento do crude. Para o empedernido Howard se vergar aos “alternativos”, dá para perceber o extraordinário desespero que o atingiu e a falta de soluções baseadas na continuidade de uma situação… insustentável.

Enquanto país extremamente dependente do petróleo, a Austrália está no princípio da vaga de fundo que, um por um, todos os países vão sentir à medida que se aproxima o fim do ciclo de prosperidade económica e social movido a energia barata. Os primeiros sinais naquele país são de intranquilidade política.

Embora ditado nesta fase por assuntos de natureza política, admissivelmente alheios ao calendário do fim do petróleo, o preço no mercado mundial não deverá regredir nunca mais: admitindo que o preço ainda é controlável pelas instituições que regem o negócio mundial do petróleo, tal controlo durará escassos anos pois entretanto virão as turbulências associadas às falhas no abastecimento, que por sua vez se irão agravar de ano para ano.

Com o fim do petróleo encerra-se um dos períodos mais brilhantes da raça humana. Baseados na energia barata e abundante, construímos uma economia globalizada que relativizou o factor geografia (que regressará mais depressa do que pensamos) e permitiu “crescimentos” e o “desenvolvimento” infra-estrutural surrealista.

Depois destes sinais na Austrália, provavelmente ainda este ano, veremos os EUA surpreenderem-nos com medidas de emergência muito piores, como por exemplo cortes colossais na aviação, hoje foco não de uma, mas de duas dores de cabeça fortíssimas: a segurança e o preço. Não me espantarei se ainda em 2006 ou, vá lá, em 2007 as indústrias relacionadas com a aviação, e a aviação comercial ela própria, levarem uma volta completa. Por outras palavras, preparemo-nos para ver os aviões na pista em vez de nos céus.

Das light news ao ensaio

16 Agosto 2006 - No Responses

O período estival convida à indolência e devo por esta altura avisar que tenho andado intermitente entre períodos de descanso, uma constipação e períodos de trabalho. Por isto ainda não tinha agradecido ao Rogério Santos as muito amáveis palavras com que recebeu e criticou dois trabalhos meus no Expresso. Respondi-lhe no Indústrias Culturais, mas desconfio que algo terá falhado nos comentários, que não chegaram a ver a luz do dia. Desconheço mesmo se os leu. Adiante, porque aqui fica o meu agradecimento público.

Num texto sobre diferenças e preferências entre hard news, soft news e light news, e a propósito da minha peça para o caderno de Economia do Expresso sobre a efeméride da WWW, Rogério Santos saudou-me nestes moldes: «saíu do castelo que é a revista “Única”, espaço de light news do semanário, para respirar, a semana passada em ensaio, esta semana em artigo factual». Eheh, é verdade que sabe bem mudar de ares. Foram muitos anos na Única, passei uma fase em que temi repetir-me e acabei “salvo” pela web 2.0 que devolveu às semanas um frenético ritmo noticioso. Mas a página precisava de uma remodelação. Não foi a minha remodelação, foi a de quem de direito.O  Expresso ficou a ganhar, que é o mais importante do meu ponto de vista de ex-quadro e actual colaborador daquele semanário.

Mas mais interessante é este post em que o Rogério se debruça sobre a apaixonante temática do fim da galáxia Gutenberg, alvo do meu ensaio na revista Actual do Expresso no dia 29 de Julho. Apenas uma adenda, o Rogério Santos fala neste «optimismo tecnológico» e eu lavo daí as minhas mãos. O ensaio não aprofundava essa zona, mas não era intenção glorificar a tecnologia. Quanto ao «desaparecimento dos intermediários», Rogério diz não concordar mas eu tenho de dizer isto: no contexto em que o referi é um facto, não uma «ideia», como diz, ou interpretação. Hoje a publicação é acessível a praticamente qualquer pessoa sem passar o Crivo, como escrevi, «um batalhão de intermediários letrados ou até mesmo cultos cuja função consistia em tranquilizar a Humanidade acerca da proveniência, da conveniência e da competência das ideias escritas pelo autor».

Claro que isto não é teorizar sobre a necessidade dos intermediários letrados na nossa sociedade actual ou nalguma das próximas culturas que emergirão, fraccionadas, da implosão da Civilização do Petróleo e da globalização. Sobre isso tenho uma ideia, é verdade. Mas fica para outra altura.

Frases que valem a pena

11 Agosto 2006 - 2 Responses

(de pessoas que valem a pena)

(Ou como) um grande narrador é sempre alguém atento à luz e seus sobressaltos“, João Lopes em 6ª, Diário de Notícias de hoje

A crise do jornalismo, remake

10 Agosto 2006 - No Responses

A Federação Internacional de Jornalistas fez um estudo a nível mundial que pretendia identificar as implicações no produto jornalístico das mudanças na relação entre entidades empregadoras e jornalistas (págs. 16 e 17). Conclusão? Os jornalistas recebem menos do que há cinco anos, as redacções são cada vez mais compostas por jornalistas jovens, menos qualificados e mais baratos e os contratos a longo termos têm sido substituídos por contratos mais curtos ou colaborações. A consequência é a óbvia: a deterioração da qualidade editorial. Aquele tema de que se falou tanto em Maio, a propósito das relações entre agências e jornalistas” Carla Borges Ferreira em Meios & Publicidade

Os junkies e os dealers

7 Agosto 2006 - No Responses

Eu percebo a auto-alienação dos contadores de cadáveres, para os quais a épica batalha dos seus números (saber se foram 80 ou 30 os cadáveres do dia) é quiçá mais importante que a guerra das armas.
Eu percebo (e até subscrevo, como vítima) a indignação pelo extremar dos extremos que resulta da discussão pública imediata (i.e., sem mediação…) sobre os “acontecimentos” do dia a dia da guerra “entre Israel e o Hezbollah” (como se estivéssemos perante dois galos numa capoeira, cada um representando um emblema, até posso ouvir o relato, neste canto com a camisola do Bem o galo semita, no outro canto representando o Mal o galo anti-semita e não houvesse mais nada fora da arena de onde escorre o sangue dos dois galos).
Eu percebo a perturbação espiritual de algumas almas inquietas que justamente reconhecem autoridade ao tempo e à memória retirando-a aos poderes transitórios, incluindo o Quarto e sua blogosférica descendência.
Mas deixem-me que vos diga. O tamanho do conflito só pode ser percebido na sua totalidade (”grocado”, diria o Smith de Heinlein) à luz de uma realidade bem mais premente e comezinha que esse épico do “choque de civilizações” e outros blockbusters tão bem intencionados quanto inócuos. Essa realidade chama-se a dependência dos Estados Unidos da América, em cujas veias se injectam diariamente milhões de barris de petróleo.
Em termos simples: o principal junkie da droga que impulsionou a Alucinação Colectiva Da Prosperidade Mundial ao longo do século XX começa a dar sinais de perturbação perante o fim do fornecimento e, como bom agarrado que é, não quer nem ouvir falar em programas de metadona. É um desesperado.
Do outro lado o dealer está em piores lençois: fartou-se de encher os dedos de anéis de ouro e espatifou bem mais que a conta em meretrizes monegascas e champanhe francês, não cuidando de retocar a tempo as linhas de fornecimento, e agora veio o implacável anúncio do fim próximo do abastecimento divino. Sente que espatifou a oportunidade única de reerguer o islão que Alá lhe deu no momento em que o sentou em cima do barril imenso. É um desesperado.
Estes dois desesperos são colossais, mesmo à escala planetária, e conduzem o mundo para o Choque da Realidade como um rebanho a caminho do matadouro.
Não conto mísseis nem corpos. Não ergo o braço deste ou do outro em sinal de vitória (comecei o conflito a pensar que eram favas contadas para Israel, era uma questão de tempo, e hoje começo a pensar que o Hezbollah tem o jogo no papo, por isso mesmo nunca se sabe, o tom ligeiro está dentro da moda da estação). Não penduro uma bandeira na minha janela. Caro leitor: este conflito prenuncia o futuro e o futuro é de escaramuças entre os junkies e os dealers da droga económica do século XX. Comece pelo notável trabalho do Chicago Tribune. Os gráficos são muito bons — mas não se prenda, faça favor, leia o resto. Pense um bocado. Verá que depressa lhe passará a indisposição provocada pela cobertura imediata da batalha no Médio Oriente.

Grande sucesso chinês: bar para andar à porrada

7 Agosto 2006 - No Responses

Um bar chinês arranjou uma nova forma de atrair clientela e tornou-se um grande sucesso: os clientes podem esmurrar o pessoal.
O proprietário do Rising Sun Anger Release, Wu Gong, referiu ao China Daily ter-se inspirado na sua experiência como emigrante.
Fico à espera dos copy-caters lisboetas, essa trupe de “empresários” “da noite” que gosta de apresentar ideias “maravilhosas” e sempre, sempre de grande originalidade.
Fonte: BBC.

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Rooooooooool another one

6 Agosto 2006 - No Responses
Just like… the other one.

O inconsciente colectivo

5 Agosto 2006 - No Responses

Excerto de um diálogo:
f** > nao me conheces mas tipo, tive a ler o arquivo da ph***
pTd > :)
f** > e pronto, alem disso tu fazes parte do inconsciente colectivo da scene .pt
pTd > inconsciente colectivo??
pTd > UI!

Fiquei esclarecid�ssimo. Sem saber se rir se chorar — mas agradecido ao f** pela lembran�a, na mesma. � sempre bom saber que fomos arquivados pelas boas raz�es!

Mas certamente que sim! - alternativa e arquivo

5 Agosto 2006 - No Responses

Este endereço passará a estar ocupado por quem de direito, aproveitando para ter aqui uma versão alternativa, cumprindo também a função de arquivo, ao Mas certamente que sim!