Fim do petróleo: Austrália financia conversão para GPL

O primeiro ministro autraliano John Howard anunciou medidas de um plano mais vasto para diminuir os efeitos nocivos da excessiva dependência energética do petróleo. Entre elas avulta o financiamento da conversão dos veículos para o gás liquefeito, GPL. O governo da Austrália vai pagar 1.000 dólares (cerca de € 600) por cada veículo novo que funcione a GPL e até 2.000 por cada veículo reconvertido (esta operação pode custar entre 2.500 e 4.000 dólares).

O plano de combate à espiral de aumentos do preço do petróleo permite poupanças de até 1.600 dólares para alguém que faça 20.000 quilómetros anuais, segundo os cálculos da fonte consultada (news.com.au).

A oposição criticou Howard pela mais irónica das razões: acusando-o de ser um late convert, um renitente na adopção do GPL e dos combustíveis alternativos ao petróleo, como forma de evitar as dores nacionais pelo aumento do crude. Para o empedernido Howard se vergar aos “alternativos”, dá para perceber o extraordinário desespero que o atingiu e a falta de soluções baseadas na continuidade de uma situação… insustentável.

Enquanto país extremamente dependente do petróleo, a Austrália está no princípio da vaga de fundo que, um por um, todos os países vão sentir à medida que se aproxima o fim do ciclo de prosperidade económica e social movido a energia barata. Os primeiros sinais naquele país são de intranquilidade política.

Embora ditado nesta fase por assuntos de natureza política, admissivelmente alheios ao calendário do fim do petróleo, o preço no mercado mundial não deverá regredir nunca mais: admitindo que o preço ainda é controlável pelas instituições que regem o negócio mundial do petróleo, tal controlo durará escassos anos pois entretanto virão as turbulências associadas às falhas no abastecimento, que por sua vez se irão agravar de ano para ano.

Com o fim do petróleo encerra-se um dos períodos mais brilhantes da raça humana. Baseados na energia barata e abundante, construímos uma economia globalizada que relativizou o factor geografia (que regressará mais depressa do que pensamos) e permitiu “crescimentos” e o “desenvolvimento” infra-estrutural surrealista.

Depois destes sinais na Austrália, provavelmente ainda este ano, veremos os EUA surpreenderem-nos com medidas de emergência muito piores, como por exemplo cortes colossais na aviação, hoje foco não de uma, mas de duas dores de cabeça fortíssimas: a segurança e o preço. Não me espantarei se ainda em 2006 ou, vá lá, em 2007 as indústrias relacionadas com a aviação, e a aviação comercial ela própria, levarem uma volta completa. Por outras palavras, preparemo-nos para ver os aviões na pista em vez de nos céus.

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